“Eu não nasci para ser mãe…”

“Eu não nasci para ser mãe…”

Quem me conhece bem já me ouviu a dizer isto.

Não tenho saudades de mudar fraldas, nem de acordar a meio da noite várias vezes, nem de suportar 9 meses de prisão efectiva, nem mais 9 de prisão domiciliária.

Agradeço a Deus quando ouço uma criancinha a chorar e penso… não é minha, que bom!

Mas adoro e beijo aqueles pés doces e fedorentos, olho demoradamente para aqueles rostos inocentes, aquelas peles de bebé, enquanto oiço discursos aclamados relativos aos direitos das crianças e do alto da minha sabedoria penso “tens tanta razão meu querido, nós, os crescidos é que somos doidos.”

Não sou uma mãe como muitas outras:

Não tenho princípios…nem fins.

Não castigo…só envio para o quarto pensar e acalmar…pensando sempre que quem deveria ir era eu…que não nasci para ter filhos mas ainda assim os tive.

Foram os meus filhos que me fizeram questionar grandes verdades desta sociedade em que vivo: porque é que eu não posso ir de cuecas para a escola? porque é que eu não posso brincar com o martelo? comer Nesquick às colheradas? desenhar nas paredes? deixar os piolhos na cabeça? “podem-te incomodar a ti mãe, mas a mim incómoda-me mais que me penteies!”

A cada pergunta destas… faço uma pausa para reflexão…porque na verdade não sei a resposta e nunca gostei da que o meu pai me dava com o seu ar austero “Por uma questão de princípio!” nem da da minha mãe com mais doçura “Para seres uma menina bonita.”, e ainda menos gosto da que se ouve por aí “O que é que as pessoas vão pensar!”.

Hoje olho à volta e penso: “Que princípios?”, “A minha beleza não vem destas coisas.” e “As poucas pessoas que pensam à minha volta sabem-me feliz e esta é a única coisa que me importa transmitir aos meus filhos.”

Não acho que tenho razão…quase nunca. Quando acho… digladiamos-nos em conversas mais ou menos acesas, que (confesso mas não me orgulho) ás vezes acabam numa “caçuleta” bem dada, porque aceito tudo, menos aquilo que me leva a dar uma “caçuleta”…

Também não sei o que é uma “caçuleta”… é o que me sai quando o sangue me ferve.

e nunca sei o que é que o fará ferver. Vou aprendendo com eles à medida que as dou.

Não as dou com muita frequência, às vezes é uma por semana, outras passam-se meses.

A seguir à “caçuleta”, ao contrário dos princípios que a sociedade me incutiu, peço desculpa, muita desculpa… “mas já viste o que acontece quando te esticas muito com a mãe. a mãe ouve, vê, pede, avisa, avisa, pede calma, sugere a ida ao quarto, ouve, argumenta contra-argumenta, respira, diz vamos começar do início e tu não paras… pumba! desculpa, não gosto nada disto.”

Não quero saber porque é que os meus filhos coitadinhos estão a reclamar quando se esticam desta forma, mas sinto, com muita convicção que o meu papel é só este: dar a entender, da minha forma mais pessoal e intransmisível…que “Desta linha tu não passas!”

E imagino que esta será a forma de eles testarem em casa o que se pode, deve, ou não fazer lá fora e quais as consequências impervisíveis das suas acções mais naturais.

A seguir somos os melhores amigos do mundo, abraçamos-nos, beijamos-nos e se nos apetecer vamos comer batatas fritas, porque não é fácil discutir com uma mãe, nem com um filho. E se no fim conseguimos perceber, e quase sempre conseguimos, a nossa lição (e cada um tem uma muito diferente para a mesma situação) então merecemos ir comemorar e aliviar a tensão com muito amor.

Obrigada Putos!

A Mámãe às vezes é muito legau!

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Acrofamília – Obrigada Sílvia pelas maravilhosas recordações inesperadas!

 

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